Postado em às 10h15 // { }

 

Coisas do destino pt.II

    Jorge era um cara bastante normal, cursava o terceiro ano no colégio, trabalhava à tarde na loja de seu tio e saia com os amigos nos fins de semana. Ele sempre gostara de tudo certo, tudo nos seus devidos lugares. Teve de amadurecer cedo, pois perdera os pais em um acidente de carro havia alguns anos e tinha de cuidar de sua irmã menor. Ele não gostava muito dela, mas não era como se ele tivesse opção, teria de cuidar dela e pronto. Às vezes ele caminhava pela cidade de madrugada, olhando as pessoas, sentindo toda a vida presente na cidade que não pára. Ah, a grande São Paulo, como ele amava sua cidade, com todas as suas luzes e poluição, ainda era a melhor para ele.
    As garotas gostavam da sua companhia, ele era divertido, simpático e inteligente. Nunca tirara uma nota menor que oito na vida, e nunca tivera nenhuma reclamação no serviço. Os amigos tiravam sarro da cara dele por isso, mas ele nunca fora chamado de nerd, nem nada do tipo. A razão: ele era bonito demais para isso. Já diriam as avós "Beleza não põe a mesa", mas no caso de Jorge, ajudava bastante. Muitos amigos, convites pra festas, garotas fáceis. Mas ele nunca deixara de ser ele mesmo, ele era comum, apesar de extraordinário.
    A tia achava graça no fato de ele ler o jornal, ela dizia "Vá se divertir, você é novo demais pra se preocupar com as porcarias do mundo". Ele não pensava assim, era consciente de que era ele, e toda sua geração que um dia fariam a diferença, e ele faria sua parte. Gostava de pensar em se tornar presidente algum dia, ter o poder de melhorar todo um país. Mas primeiro ele teria de melhorar sua habilidade de desenho, pois sua nota em Arte estava beirando perigosamente um 7,5.
    Apesar de sua personalidade, sua aparência era despojada, jeans rasgados e camisas de banda, normalmente pretas, eram seu look favorito. Os cabelos lisos sempre meio bagunçados e um piercing no lábio.
    Jorge amava o silêncio, chegava em casa e desligava todos os aparelhos eletrônicos que estivessem ligados. Não dormia direito quando chovia durante a noite e detestava quando sua irmã mais nova deixava o rádio ligado pra dormir. Ele não dormia sem silêncio...

 






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